domingo, 23 de maio de 2010

Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Alem de aqui dentro de mim...

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

As pessoas que usam roupas histéricas são necessariamente histéricas?

Sangue nas veias.

Se tu só me falasses
pelo sangue nas veias
estaria agora dizendo tudo,
ou não dizendo nada?

Entendo melhor quando dizes tudo
ao mesmo tempo
do que quando não dizes nada
em tempo nenhum

E calado agora,
se meu ouvido prendo ao teu peito,
ouço retumbante e rápido um tum, um tum.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Notei a estante do mesmo tamanho
E o bolso perdendo peso.
Algo errado: compro livros
não aumento a biblioteca.

Amigos que gostam de ler....
podem facilmente virar ladrões.
como condená-los
se já roubei também?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre um menino de olhos profundos.

Se eu mesma lesse esse título, me conhecendo, acharia que é mais um post ligeiramente over-meloso e no limite do que é cabível no quesito "sentimentalismo exacerbado", mas, surpreendendo a possível e não existente Manoela que seria leitora dela mesma esse post é sobre o Brasil ou algo do gênero.

Vi um filme com a Sô esse fim de semana. Up - altas aventuras. O filme é fofo. Desenho animado, de um velhinho que saí pelo mundo com sua casa presa em balões de gás hélio. Totalmente surrealista, mas divertidinho e bom pra passar o tempo. Além disso, estava com saudade de sair com a Sô. Hoje, fui a dentista ver se me livrava finalmente do clareamento: mas não foi hoje ainda. Essas coisas não teriam relação nenhuma, e talvez não tenham mesmo, mas algo me chamou atenção nas duas ocasiões.

No domingo, voltando para casa, o ônibus parou num cruzamento e esperou o sinal. Enquanto estava parado, olhei pela janela e vi um garoto. Bermuda jeans meio surrada e suja de terra. Pés descalços, uma camiseta de propaganda política. Olhei para ele meio como quem olha a paisagem. Era um menino bonito, que não podia ter mais de 12 anos. O que me surpreendeu foi que, ao reparar que eu o olhava, ele não desviou o olhar. Os cariocas que estão lendo o texto podem ter visualizado um garoto meio maloqueiro, encarando com agressividade, mas não foi esse o olhar que eu vi nesse garoto específico. Ele simplesmente permaneceu ali, sem movimentos. E se vocês acreditarem que não estou numa onda de super-interpretação, vou dizer também que os olhos dele emanavam um certo pedido ou revolta silenciosa. Como se ele mesmo soubesse da injustiça que era ele estar ali, descalça, e eu estar dentro do ônibus confortavelmente voltando para casa depois de uma seção de cinema.

Tive vontade de dizer algo, mas acabei engolindo em seco, e o barulho do ônibus fez com que o menino retomasse seu destino. E eu o meu. Cheguei em casa ainda com os olhos dele na cabeça, e meio de mal com o mundo: como diria Vinícius "Às vezes quero crer mas não consigo, é tudo uma total insensatez". Acho injusto. E não consigo passar muito tempo sem pensar nisso.

Mas dormi, a sensação foi embora. Ou quase. E hoje acordei para um dia normal. E no meio do meu dia normal estava a consulta com a Dr.Heloiza. Saí do consultório e uma chuva forte fazia com a rua tivesse dois dedos de água, e as pessoas sem guarda-chuva corressem. Os carros passavam jogando água nos pedestres, que xingavam. E eu abri meu guarda-chuva com imagens do Rio de janeiro e desci a rua até o ponto para voltar para casa. Mesmo com ele aberto a calça ficou molhada até um pouco acima do joelho, porque ventava e os pingos mudavam de direção.

O ponto de onibus, por causa do vento, não chegava a ser um abrigo. E lá havia um menino. Cheguei no ponto meio sem atenção e olhei para o ônibus que vinha sem conseguir definir qual era. "É o Circular", me disse o menino. E eu reparei então na existência dele. Reparei também que ele estava tirando as meias e o tênis. "Por que está tirando o tênis?". Ele olhou, meio envergonhado, e enquanto guardava o tenis numa sacola de supermercado respondeu "Ainda nem acabei de pagar. Vem essa chuva, ele fica todo sujo, e mesmo que a gente lava e não fica igual. Logo no dia que eu decidi usar ele. Ainda nem acabei de pagar. O pé a gente lava e fica igual, moça". Achei impressionante o carinho com o par de tênis. O pé a gente lava e fica igual. E ele ter repetido duas vezes "ainda nem acabei de pagar".

Se fosse milionária, ou pelo menos mais rica, na hora teria tirado do bolso um dinheiro e dado para ele acabar de pagar o tênis. Meu adidas, que me deixou muito feliz quando fiz 19 anos, estava todo sujo e molhado no meu pé. Feio, mesmo. Fiquei pensando que o tênis desse menino vai estar lindo mesmo daqui a um ano. A gente não dá valor no que tem, essa é a verdade. Eu mesma, não dou.

Não falo o suficiente aos meus amigos o quanto me são importantes:essenciais. Não cuido o suficiente das minhas coisas, mesmo as que gosto muito. Não ligo o suficiente para minha mãe. Não escrevo as cartas que gostaria, apesar dos pesares, a minha avó. Não cuido nem de mim mesma o suficiente:não me alimento como deveria, não faço exercícios como deveria, e fujo de médicos como diabo da cruz.

E acho, de coração, que o Brasil tem coisas demais a mudar.